Fichamento Design: Obstáculos para a remoção de obstáculos

fichamento sobre o texto Design: OBSTÁCULO PARA A REMOÇÃO DE OBSTÁCULOS?

entende:

O mundo, na medida em que estorva, é objetivo, objetal, problemático.

E na verdade sou duplamente obstruído por eles: primeiro, porque necessito deles para prosseguir, e, segundo, porque estão sempre no meio do meu caminho. Em outras palavras: quanto mais prossigo, mais a cultura se torna objetiva, objetal e problemática.

Com relação aos objetos de uso, cabe perguntar aqui de onde e para que foram lançados (werfen) em nosso caminho. (Essa pergunta não tem sentido com relação a outros objetos.)

Objetos de uso são, portanto, mediações (média) entre mim e outros homens, e não meros objetos. São não apenas objetivos como também intersubjetivos, não apenas problemáticos, mas dialógicos.

Aquele que projeta objetos de uso (aquele que faz cultura) lança obstáculo no caminho dos demais, e não há como mudar isso

Um simples olhar na situação atual da cultura revela o seguinte: ela está caracterizada por objetos de uso cujos designs foram criados irresponsavelmente, com a atenção voltada apenas para o objeto.

A situação da cultura está como está justamente porque o design responsável é entendido como algo retrógrado.

Começamos de fato a separar o conceito objeto do conceito de matéria, e a projetar objetos de uso imateriais, como programas de computador e redes de comunicação. Isso não significa que o surgimento de uma “cultura imaterial” venha a ser menos obstrutiva: pelo contrário, pode ser que ela restringe ainda mais a liberdade do que a cultura material. Mas o olhar do designer, ao desenvolver esses designs imateriais, dirige-se espontaneamente, digamos, para os outros homens. A própria coisa imaterial o leva a criar de um modo responsável. Os objetos de uso imateriais são ídolos (e, pos isso,

adorados), mas são ídolos transparentes, e portanto permitem que os outros homens que estão por trás deles sejam percebidos. Sua face mediática, intersubjetiva, dialógica, é visível.

Pode ser que essa tomada de consciência da efemeridade de toda criação (inclusive a criação de designs imateriais) contribua para que futuramente se crie de maneira mais responsável, o que resultaria numa cultura em que os objetos de uso significaram cada vez menos obstáculos e cada vez mais veículos de comunicação entre os homens. Uma cultura, em suma, com um pouco mais de liberdade.

não entende:

Essa contradição consiste na chamada “dialética interna da cultura” (se por “cultura” entendemos a totalidade dos objetos de uso). Essa dialética pode ser resumida assim: eu topo com obstáculos em meu caminho (topo com o mundo objetivo, objetal, problemático), venço alguns desses obstáculos (transformo-os em objetos de uso, em cultura), com o objetivo de continuar seguindo, e esses objetos vencidos mostram-se eles mesmos como obstáculos.

São projetos (Entwürfe), designs de que necessito para progredir e que, ao mesmo tempo, obstruem meu progresso. Para sair desse dilema, eu mesmo desenvolvo os projetos: eu mesmo lanço objetos de uso no caminho de outras pessoas. Como devo configurar esses projetos para que ajudem os meus sucessores a prosseguir e, ao mesmo tempo, minimizem as obstruções em seu caminho? Essa é uma questão política e também estética, e constitui o núcleo do tema configuração (Gestaltung).

A responsabilidade é a decisão de responder por outros homens. É uma abertura perante os outros. Quando decido responder pelo projeto que crio, enfatizo o aspecto intersubjetivo, e não o objetivo, no utilitário que desenho.

A responsabilidade é a decisão de responder por outros homens. É uma abertura perante os outros. Quando decido responder pelo projeto que criou, enfatizo o aspecto intersubjetivo, e não o objetivo, no utilitário que desenho.

Pelo menos desde aquela época, os criadores (Gestalter) são aqueles que projetam formas sobre os objetos com a finalidade de produzir objetos de uso cada vez mais úteis. Os objetos resistem a tais projetos. Essa resistência prende a atenção de seus projetistas (Gestalter) e os incita a penetrar mais e mais profundamente nos mundos objetivo, objetal e problemático, para que se tornem cada vez mais familiares com esse mundo e sejam capazes de manejá-lo. É isso que viabiliza o progresso técnico e

científico, de tal modo atrativo que os criadores, ocupados com ele, esquecem aquele outro progresso, isto é, o progresso em direção aos outros homens.

Responsabilidade e liberdade

reformulações:

Quanto mais ele passa pelos obstáculos, mais ele os entende, elabora e transforma em cultura.

Só os objetos de uso tem de onde e para que. 

Objetos de uso são criados pelas pessoas (como todos) e por isso são interligados e estabelecem paralelos estéticos, funcionais. Eles obstruem e facilitam os caminhos, não são apenas problemáticos, mas podem ser dialógicos (facilitam.

A liberdade no âmbito da cultura tem a ver com a responsabilidade dos homens na criação de objetos de uso, e quando ele cria, lança um obstáculo no caminhos dos outros (a ser desvendado?)

Quando um objeto é colocado na realidade/projetado com menos responsabilidade, ele restringe o espaço da cultura (diminui as possibilidades de estabelecer um diálogo com ele e desobstruir os caminhos de quem se depara com ele)

Objetos de uso projetados com irresponsabilidade são centrados neles próprios, estabelecendo menos diálogos, por isso extremamente úteis. 

Cultura imaterial as vezes pode restringir até mais do que a material, mas ela tem como base designs responsáveis, que estabelecem relações visíveis (veem os outros homens). 

Os objetos de uso, afinal de contas, são obstáculos de que necessito para poder progredir e, quanto mais preciso deles, mais os consumo. Mas quando consumidos, o projeto é jogado fora (surpreende o projetista, assim como o espaço público-privado. 

Isso nos leva a pensar na segunda lei da termodinâmica, que diz que toda matéria tende a perder sua forma (sua informação). DESMARGINAÇÃO. 

A questão da responsabilidade e da liberdade (inerente ao ato de criar) surge não apenas quando se projetam os objetos, mas também quando eles são jogados fora.

Eles perderam a forma sobre eles projetada; são deformados e jogados fora. Por que jogados fora? N reinventados ou descolados do design e do projeto

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